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Prof. Marcos Trindade Moreira


“A Astronomia, pela dignidade de seu objeto e pela perfeição de suas teorias, é o mais belo monumento ao espírito humano, o título mais nobre de sua inteligência”.

Pierre-Simon Laplace (1749 – 1827). Matemático, Astrônomo, Filósofo


“Aquele que ensina está sempre a aprender, é cotidianamente agraciado com o convívio reabastecedor dos jovens, é obrigado por dever do ofício a se atualizar, é contaminado pela esperança, é desafiado a ter fé e jamais pode esquecer, pela natural confiabilidade da juventude, que a boa vontade é o estado de espírito mais essencial à transformação do mundo”.

Letícia T. S. Parente, 1991. Educadora Química


“(...) As crianças têm necessidade de pão, do pão do corpo e do pão do espírito, mas necessitam ainda mais do teu olhar, da tua voz, do teu pensamento e da tua promessa. Precisam sentir que encontraram, em ti e na tua escola, a ressonância de falar a alguém que escute, de escrever a alguém que as leia ou as compreenda, de produzir alguma coisa de útil e de belo que é a expressão de tudo o que elas trazem de generoso e de superior...”.

Freinet, 1996


“Todo conhecimento começa num sonho. O conhecimento nada mais é que a aventura pelo mar desconhecido, em busca da terra sonhada. Mas sonhar é coisa que não se ensina. Brota das profundezas da terra. Como mestre só posso então lhe dizer uma coisa: conte-me seus sonhos para que sonhemos juntos”.

Rubem Alves


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A Constelação do Touro e Seus Objetos Celestes Maravilhosos

A CONSTELAÇÃO DO TOURO
E SEUS OBJETOS CELESTES MARAVILHOSOS 


Marcos Trindade Moreira


1 Introdução

Para facilitar a descrição do céu e transmitir conhecimentos, o homem primitivo resolveu reunir as estrelas em grupos, constituindo desse modo as constelações. Na realidade, elas não constituem sistemas de estrelas associadas entre si. Em geral se encontram muito distantes umas das outras, dentro da nossa galáxia, a Via Láctea.
A distribuição e a denominação das constelações não foi uma fantasia dos povos antigos. Foi um trabalho de cartografia com finalidades úteis para o planejamento da agricultura e para orientação náutica. O agrupamento de estrelas em  constelações seguiu dois sistemas: um zodiacal (relacionado à agricultura) e outro equatorial (relacionado à navegação). O sistema equatorial está ligado à orientação por meio das estrelas para a navegação noturna, enquanto o sistema zodiacal tinha por finalidade a determinação das estações, prendendo-se, assim, às atividades agrícolas.
As mais antigas denominações das constelações surgiram entre os povos da Mesopotâmia. Nos primeiros zodíacos encontramos a constelação do Touro como o primeiro signo, pois o equinócio da primavera naquela época localizava-se nessa constelação. Todavia, em virtude do movimento de precessão do eixo imaginário norte-sul terrestre, o equinócio se desloca sucessivamente em todos os signos num período de 26 mil anos, aproximadamente. Após 2.150 a. C. o equinócio teve lugar no signo de Áries e desde o primeiro século de nossa era encontra-se no signo de Peixes. Aliás, convêm lembrar que entre os Persas, o céu era dividido em quatro partes pelas chamadas quatro estrelas reais – Aldebarã, Régulus, Antares e Fomalhaut – utilizadas na agricultura para indicar o início das estações do ano: primavera, verão, outono e inverno. As constelações zodiacais que surgiram em primeiro lugar foram Touro, Gêmeos, Leão, Virgem, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário, Peixes e Carneiro. Posteriormente, foram criadas Câncer e Balança. 


FIGURA 1 – O Zodíaco atual, incluindo a constelação de Ofiúco.  

A associação do nome das constelações à mitologia era uma maneira de permitir a transmissão oral das descrições do céu. Os cultos prestados aos fenômenos naturais, inexplicáveis pela ciência da época, deram origem a essas ligações míticas.
Provavelmente Touro é a mais antiga constelação do zodíaco. Os Babilônios a utilizavam para marcar o início do ano em 4.000 a.C, pois nessa época, o equinócio da primavera localizava-se nesse asterismo. Aliás, o estudo de todos os antigos zodíacos mostra o seu início no Touro: o ano começava com o aparecer matinal das Plêiades na primavera e com o seu aparecimento vespertino no outono, para os habitantes do hemisfério norte.
O aparecimento das Plêiades em novembro era saudado como a “festa dos mortos”, que comemoramos até hoje (Dia de Finados). Povos da antiguidade, como os Caldeus e Hebreus, davam ao mês de novembro o nome de Plêiades. No mais antigo de todos os zodíacos egípcios – o de Denderah – a constelação do Touro está associada a Osíris, que era o deus especial do rio Nilo. O nascer helíaco das Híades, principal aglomerado do Touro, era associado à estação da chuva, donde a origem do seu nome, que significa “chover” (MOURÃO, 1989, p. 287).   
A constelação do Touro possui os dois mais famosos aglomerados estelares totalmente visíveis a olho nu: Híades e Plêiades. As Híades constituem um enorme aglomerado aberto no qual as estrelas mais brilhantes formam um grande “V”, contendo cerca de 200 estrelas. Aldebarã (Alfa do Touro), uma estrela gigante vermelho-alaranjada com diâmetro 40 vezes superior ao do nosso Sol, constitui uma das extremidades do “V”. As Plêiades, o mais famoso aglomerado aberto por ser completamente visível a olho nu a oeste das Híades, também é chamado de “As Sete Irmãs”, pois é formado por 7 estrelas principais.   
A constelação do Touro é uma das mais facilmente identificáveis no céu noturno de primavera e verão para os habitantes do hemisfério sul. Ainda traz outros objetos celestes muito interessantes, como a estrela Aldebarã ou “Olho do Touro” e a famosa nebulosa do Caranguejo. O verão é a melhor época do ano para observar esta constelação no hemisfério sul, pois é quando ela mais se destaca no céu, nascendo a leste por volta das 18 horas e estando visível praticamente a noite toda.


FIGURA 2 – Constelação do Touro na Uranografia. 

2 O Touro na Mitologia Grega

Segundo a mitologia grega, há muito tempo atrás, havia no reino da cidade de Tiro (na Fenícia; hoje Sur, no Líbano), um rei chamado Agenor, cuja filha era muito bela. Seu nome era Europa e Zeus (Júpiter, na mitologia romana) se apaixonou perdidamente por sua beleza. Queria possuí-la a qualquer preço. Movido por essa determinação, Zeus decidiu utilizar sua estratégia principal, ou seja, a de se metamorfosear em qualquer objeto ou criatura viva. Por alguma razão, Zeus jamais aparecia diante das suas eleitas na sua forma pessoal, preferindo assumir sempre outra aparência qualquer.

Assim, depois de muito pensar, decidiu transformar-se num grande touro, branco como a neve. Em uma das praias de Tiro onde um grupo de moças se divertia, entre elas, Europa, a calma das jovens foi abalada pela aparição do touro branco, assustando o grupo. De todas as moças, a única que não fugiu foi Europa, que se aproximou do touro e acariciou o pêlo alvo do animal e o enfeitou com flores. Quando as moças ganharam confiança e se aproximaram, o touro se levantou e fugiu em direção ao mar, a galope sobre as ondas, com Europa no dorso. 


FIGURA 3 – Pintura retratando o rapto de Europa pelo Touro.  


FIGURA 4 – Europa e o Touro.  

Europa pediu socorro às companheiras, mas o touro, durante dia e noite sem parar, nadou até uma praia em Creta, onde se abaixou para que a jovem pudesse descer. Aí Zeus retomou a sua forma divina e uniu-se a Europa que, com o tempo, deu a ele dois filhos, entre eles Minos, futuro rei de Creta e pai do Minotauro. O Touro brilha até hoje no céu como uma constelação para recordar essa união.


3 Aldebarã

A estrela Aldebarã (Aldebaran ou alfa Tauri) é a estrela mais brilhante da constelação do Touro.  Na Grécia antiga era conhecida como “tocha” ou “facho”. É conhecida popularmente como o “Olho do Touro”, pois sua localização na imagem sugerida para a constelação ocupa a posição do olho esquerdo do Touro mítico.


FIGURA 5 – Localização das constelações de Touro e Órion no céu noturno. 

O seu nome provém da palavra árabe “al-dabarān” que significa “aquela que segue as Plêiades” – referência à forma como a estrela parece seguir esse aglomerado durante o seu movimento aparente ao longo do céu. Aldebarã é uma das estrelas mais facilmente identificáveis no céu noturno, tanto devido ao seu brilho como à sua localização. Identificamo-la rapidamente se seguirmos a direção das três estrelas centrais da constelação de Órion (designadas popularmente por “Três Marias” ou Três Reis Magos – o cinturão do caçador), da esquerda para a direita (no hemisfério norte) ou da direita para a esquerda, no hemisfério sul – Aldebarã é a primeira das estrelas mais brilhantes que encontramos ao seguirmos essa linha imaginária (ver figura 5).
É uma estrela do tipo espectral K5 III (uma gigante vermelha-laranja), o que significa que tem cor alaranjada; tem grandes dimensões e saiu da sequência principal do Diagrama HR depois de ter gasto todo o Hidrogênio que constituía o seu “combustível”. Atualmente, a sua energia provém apenas da fusão de Hélio da qual resultam cinzas de Carbono e Oxigênio. Sua temperatura superficial é da ordem de 3.000K. O corpo principal desta estrela expandiu-se para um diâmetro de aproximadamente 40 vezes maior que o do nosso Sol. Localiza-se a 68 anos-luz da Terra e sua luminosidade é 150 vezes superior à do Sol, o que a torna a décima terceira estrela mais brilhante do céu (magnitude aparente = 1,06). É ligeiramente variável, do tipo variável pulsante, apresentando uma variação de brilho cerca de 0,2 unidade de magnitude.  


FIGURA 6 – A estrela Aldebarã e o nosso Sol – Comparação dos tamanhos. 

3.1 Significados Místicos e Astrológicos 

Em termos astrológicos, Aldebarã é considerada uma estrela propícia, portadora de honra e riqueza. Segundo Ptolomeu, é da natureza de Marte, devido à sua cor avermelhada. O astrólogo e alquimista Cornelius Agrippa escreveu que “o talismã feito sob Aldebarã com a imagem de um homem voando, confere honra e riqueza”.
Aldebarã é uma das quatro “estrelas reais” (a guardiã do leste), assim designadas pelos Persas em cerca de 3.000 a.C.. Também como guardiã do leste corresponde, na tradição, ao arcanjo Miguel (“o que é como Deus”), o Comandante dos Exércitos Celestes. Indicou o equinócio de outono no hemisfério norte em uma fase inicial da história a que se referem escrituras védicas.
Para os cabalistas está associada à letra inicial do alfabeto hebraico, Aleph e, portanto, à primeira carta do Tarô, O Mago. Segundo a mitologia própria da Stregheria, ou bruxaria tradicional italiana, Aldebarã é um anjo caído que, durante o equinócio da primavera, marca a posição de guardião da porta oriental do céu. 

4 Plêiades 

O aglomerado estelar aberto Plêiades é o grupo de estrelas mais brilhante em todo o céu e o mais famoso. As Plêiades também são conhecidas por vários outros nomes tais como “Sete Irmãs”, “Sete estrelo” em algumas passagens bíblicas (Jó 9:9 e 38:31; Amós 5:8), como M45 na classificação do Catálogo Messier, NGC 1432, como “Subaru” (marca de automóveis) no Japão e diversas outras denominações em Árabe, Hebraico bíblico, Persa, Urdu, Coreano, Maori, Sânscrito e Indiano.
No Brasil, na região sudeste do Estado do Pará, os índios Aikewára (etnia Tupi) chamam o aglomerado de “Eisu” (em português = casinha de abelhas). Na região em que os Aikewára vivem, o aglomerado aparece no início da noite, no primeiro semestre. É o momento em que eles estão colhendo a safra da castanha, no período das chuvas. 


FIGURA 7 – Eisu – casinha de abelhas. 
Constelação dos índios Aikewára. 


FIGURA 8 – Aglomerado As Plêiades. 

O nome Plêiades deriva do grego “plein”, que significava o início e o término da estação da navegação entre os gregos. Na mitologia grega, as Plêiades eram as sete irmãs, filhas de Pleione e Atlas, perseguidas por Órion que estava encantado com a beleza das moças e que para escapar da perseguição do caçador, recorreram aos deuses, que as transformaram em sete estrelas. Seus nomes eram: Maia, Electra, Taígeta, Astérope, Mérope, Alcíone e Celeno. Uma explicação mais óbvia para o nome das Plêiades refere-se precisamente ao nome da mãe (Pleione) que, tal como Atlas, também está representada no aglomerado (ver figura 10). 


FIGURA 9 – As Plêiades na mitologia grega. 

Um modo fácil de localizar as Plêiades no céu é tomando a reta formada pelas estrelas Betelgeuse (na constelação de Órion) e Aldebarã (na constelação do Touro), ambas fáceis de serem identificadas por terem cor avermelhada. Seguindo a reta chegaremos ao aglomerado das Plêiades, bem no pescoço do Touro (figuras 5 ou 15). 


FIGURA 10 – Aglomerado aberto M45 – As Plêiades. 

As Plêiades, como é típico dos aglomerados abertos, constituem um grupo de estrelas que se formaram a partir de uma mesma massa inicial de gás e poeira. Trata-se de um aglomerado muito jovem: a sua idade é estimada em 100 milhões de anos, pelo que terão surgido num momento em que a Terra era dominada pelos dinossauros. Em fotografias de longa exposição é possível ver nebulosidades associadas às estrelas do aglomerado, como podemos observar na figura 10. Essa nebulosidade, que envolve suas estrelas mais brilhantes, dispersa a luz como um nevoeiro ao redor de lâmpadas acesas. 
Observações no rádio e no infravermelho realizadas nos anos da década de 1980 mostraram que essa nebulosidade resulta de um encontro casual entre as estrelas jovens das Plêiades e uma nuvem interestelar, e não dos resíduos da nuvem que originou o aglomerado. Novos dados obtidos no observatório de Kitt Peak (Arizona, EUA) sugerem que as Plêiades estão na realidade encontrando com duas nuvens, o que em si é um acontecimento raríssimo: uma colisão de três corpos na vastidão do espaço interestelar. Esta situação faz das Plêiades um laboratório único. 
A orientação de estruturas captadas em imagens ópticas e de rádio fornece informações sobre o movimento do gás e poeira na abóbada celeste, que combinada com as velocidades ao longo da linha de visão determinadas espectroscopicamente permitem reconstituir a configuração tridimensional da matéria interestelar perto das Plêiades.
As riscas de absorção do sódio mostram que existe uma estrutura entre a Terra e as estrelas das Plêiades, movendo-se em direção ao aglomerado com uma velocidade ao longo da linha de visão de 10 quilômetros por segundo. Segundo Richard White, o autor principal deste estudo, a estrutura corresponde ao complexo de nuvens interestelares do Touro-Cocheiro (em latim Taurus-Auriga), cujo centro se situa a cerca de 40 anos-luz a Leste. 
No entanto, na direção de algumas estrelas existem duas ou mais estruturas de absorção. White argumenta que uma onda de choque proveniente da colisão das Plêiades com gás associado ao complexo do Touro-Cocheiro poderia, em algumas regiões, dividir estruturas de absorção em três, especialmente nos lados Sul e Leste das Plêiades. No entanto, a presença de outra estrutura revelada pelos dados, especialmente no lado Oeste e se movimentando com uma velocidade de 12 quilômetros por segundo em direção ao aglomerado, desafia qualquer explicação, a não ser que uma segunda nuvem esteja também convergindo para as Plêiades. 
O aglomerado compreende pelo menos 500 estrelas, predominantemente de cor branco-azuladas, muito quentes, e situa-se a 380 anos-luz de distância. Assim, a luz das suas estrelas demora 380 anos para chegar até nós. O que vemos no céu é o aspecto que o aglomerado tinha na época em que se efetuavam as primeiras observações astronômicas com telescópios. Estima-se que durará de 250 a 300 milhões de anos para que as estrelas deste aglomerado se dispersem no espaço. É possível que algumas dessas estrelas possam se manter fisicamente relacionadas, formando sistemas estelares duplos ou múltiplos. 

5 Híades 

Nas proximidades das Plêiades, é possível observar outro aglomerado aberto, ainda que menos espetacular: as Híades. Na mitologia grega, as Híades eram filhas de Atlas e Altra, e, portanto, irmãs das Plêiades pelo lado paterno. Os antigos acreditavam que o nascer e o pôr helíaco das Híades estavam associados às chuvas. A palavra Híades significa literalmente “água” ou “chuva”. As Híades têm um formato em "V" simbolizando a cabeça do Touro, com a estrela Aldebarã representando um olho. 


FIGURA 11 – Aglomerados abertos Híades e Plêiades na constelação do Touro.

A estrela Aldebarã, na realidade, não pertence ao aglomerado das Híades, mas devido ao efeito de superposição, é impossível não associá-los, pois as suas estrelas distribuem-se, aparentemente, em torno dela. Mas isso não passa de um efeito de perspectiva – enquanto Aldebarã se situa a 60 anos-luz da Terra, as Híades encontram-se a 150 anos-luz. Ainda assim, as Híades constituem o aglomerado aberto mais próximo de nós. A rotação aparente da esfera celeste dá-nos a sensação de que Aldebarã e as Híades seguem as Plêiades. Por essa razão, o nome árabe daquela estrela, “al-dabarān”, significa “aquela que segue”. 

5.1 As Híades e a Teoria da Relatividade 

O aglomerado das Híades desempenhou um papel importante na verificação experimental da teoria da relatividade geral de Albert Einstein. Segundo esta teoria, o campo gravitacional do Sol provocaria uma deflexão nos raios luminosos provenientes de outras estrelas, na sua passagem junto ao limbo solar (isto é, junto à borda do Sol), induzindo um desvio na posição aparente dessas estrelas da ordem dos 1,75’’ (1,75 segundos de arco). Um eclipse total, quando o Sol se encontrasse numa zona do céu rica em estrelas, constituiria a ocasião ideal para pôr esta teoria à prova. Para 29 de Maio de 1.919 estava previsto um eclipse total, e o Sol ocuparia então uma posição aparente na região das Híades. 
O astrofísico britânico Arthur Eddington, que por motivos religiosos se recusara a participar na Primeira Guerra Mundial, tivera que se comprometer a organizar uma expedição com o fim de testar o efeito previsto pela relatividade geral, de modo a evitar a prisão. Por ocasião do referido eclipse, Eddington organizou então uma dupla expedição, contemplando dois locais abrangidos pela faixa de totalidade: Sobral, no Ceará (Brasil), e a Ilha do Príncipe, na época uma colônia portuguesa. O Observatório Astronômico de Lisboa, então dirigido pelo Almirante Campos Rodrigues, colaborou ativamente na organização da expedição à Ilha do Príncipe, que contou com a participação do próprio Eddington. Os resultados da expedição, favoráveis à teoria de Einstein, deram uma enorme contribuição para a aceitação da mesma e para a popularidade do cientista.

FIGURA 12 – Curvatura de um raio luminoso, causada pelo campo gravitacional do Sol, comprovando parte da Teoria da Relatividade. 

6 Nebulosa do Caranguejo 

A Nebulosa do Caranguejo, objeto celeste catalogado como M1, NGC1952 ou ainda por Taurus A, foi observada pela primeira vez por John Bevis no ano de 1.731 e é remanescente de uma estrela supernova (resultado da morte de uma estrela massiva, que colapsou e explodiu liberando uma enorme quantidade de energia) que foi registrada como uma estrela visível à luz do dia, por astrônomos chineses e árabes no ano de 1.054 (catalogada como SN 1054). Esta super estrela era o 3º objeto mais brilhante no céu (contando com o Sol e a Lua) e pôde ser observada durante o dia por mais de dois meses apesar de se encontrar a cerca de 6.300 anos-luz de distância. A supernova foi visível a olho nu durante a noite por cerca de dois anos após a sua primeira observação. A Nebulosa do Caranguejo se tornou o primeiro objeto astronômico reconhecido como sendo ligado a uma explosão de supernova. 


FIGURA 13 – Estrela supernova observada por astrônomos chineses
e árabes no ano de 1.054. 

A nebulosa está se expandindo a cerca de 1.500 quilômetros por segundo. Fotografias tomadas ao longo de vários anos revelam a lenta expansão da nebulosa, e comparando esta expansão angular observada no céu com a sua velocidade de expansão determinada através de análise espectroscópica, a distância da nebulosa pode ser estimada.
Em 1.973, uma análise a partir dos diversos métodos utilizados para calcular a distância até a nebulosa chegou à conclusão de cerca de 6.300 anos-luz. Ao longo de seu eixo maior visível, a nebulosa mede cerca de 13 (± 3) anos-luz de diâmetro.
Seguindo de forma retrógrada e uniforme a sua expansão, alcança-se uma data várias décadas após o ano de 1.054, o que implica que a sua velocidade de expansão tem aumentado desde a explosão da supernova. Acredita-se que esta aceleração seja causada pela energia do pulsar no seu interior, que de alguma forma interfere o campo magnético da nebulosa, que se expande e força seus filamentos em direção ao espaço vazio.
A nebulosa foi redescoberta de forma independente em 1.758 pelo astrônomo francês Charles Messier enquanto observava um cometa brilhante. Messier catalogou-o como a primeira entrada (M1) no seu catálogo de objetos com aparência semelhante a cometas. William Parsons, Conde de Rosse, observou a nebulosa no Castelo de Birr, na década de 1.840 e referiu o objeto como a Nebulosa do Caranguejo porque um desenho que ele fez parecia com um caranguejo.
Atualmente sua magnitude aparente é de 8,4, não podendo ser vista a olho nu. No entanto, não é difícil sabermos sua localização, visto que está bem próxima da estrela Zeta (ζ), na ponta de um dos chifres do Touro, conforme mostra a figura 14. 


FIGURA 14 – Carta celeste da constelação do Touro.



FIGURA 15 – Localização dos aglomerados abertos Plêiades e Híades, da nebulosa do Caranguejo, das “Três Marias” e das estrelas Aldebarã e Betelgeuse. 

No interior desta nebulosa, existe um pulsar (uma fonte de rádio) e que também pode ser chamado de “estrela de nêutrons”, que gira rapidamente em torno de seu eixo a uma velocidade de 30 vezes por segundo, diminuindo gradativamente esta velocidade em razão da interação magnética com a nebulosa. A energia liberada, à medida que o pulsar desacelera, é enorme e cria uma região incomumente dinâmica no centro da Nebulosa do Caranguejo. Enquanto a maior parte dos objetos astronômicos evoluem tão lentamente que mudanças somente são visíveis em escalas de tempo de muitos anos, as partes internas da nebulosa do Caranguejo mostram mudanças em escalas de tempo de apenas alguns dias. 


FIGURA 16 – A Nebulosa do Caranguejo – M1 ou NGC 1952


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Endereços Eletrônicos Consultados 


COSTA, Fernando, (Monitor no Observatório Astronômico Frei Rosário).
A Constelação de Touro. Disponível em: http://www.observatorio.ufmg.br/dicas10.htm    
Acesso em 22/01/2012.

MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Uranografia: descrição do céu. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1989.

NEVES, Ivania dos Santos. Astronomia Aikewára – Eisu, uma constelação Tupi. Blog Aikewára – Entre histórias, castanhas e estrelas.
Disponível em: http://aikewara.blogspot.com/2010/10/astronomia-aikewara-eisu-uma.html  
Acesso em 23/01/2012.

NUCLIO – Núcleo Interactivo de Astronomia. Portal do Astrónomo. As Plêiades numa rara colisão interestelar de três corpos.
Disponível em: http://www.portaldoastronomo.org/noticia.php?id=334
Acesso em 24/01/2012.

RAPOSO, Pedro (Observatório Astronômico de Lisboa). Plêiades e Híades: enxames estelares com história. Boletim O Observatório. Lisboa: OAL, 2003, v. 9, n. 7, p. 5.
Disponível em: http://www.oal.ul.pt/oobservatorio/vol9/n7/pagina5.html
Acesso em 23/01/2012.

WIKIPÉDIA, A Enciclopédia Livre. Aldebarã.
Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Aldebar%C3%A3 
Acesso em 24/01/2012.

______________. Nebulosa do Caranguejo.
Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Nebulosa_do_Caranguejo
Acesso em 24/01/2012.

______________. Plêiades (aglomerado de estrelas).
Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pl%C3%AAiades_(aglomerado_de_estrelas) 
Acesso em 24/01/2012.

[s.a.]. Observações no Zodíaco Parte I: o Touro. Blog Diário do Astrônomo Amador. Disponível em:
http://diariodoastronomoamador.blogspot.com/2011/12/observacoes-no-zodiaco-parte-i-o-touro.html
Acesso em 24/01/2012.

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